terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
O Enterro
Antigamente, ricos estancieiros faziam uso do enterro de dinheiro. Na falta de um banco, os velhos abonados enchiam panelas de cerâmica com tudo o que podiam. Jóias moedas e o que mais pudesse ser guardado na ‘poupança’ era posto dentro da panela. Com o suporte de alguns escravos era escolhido um local para o enterro, os homens sem liberdade davam conta de abrir um buraco onde o enterro aconteceria. Geralmente um lugar inóspito e um buraco bastante fundo. Valores depositados, escravos mortos. O motivo mais óbvio era para que estes não pudessem retornar ao local em alguma fuga premeditada e roubar os pertences de seu dono. Um motivo menos óbvio, e mais sobrenatural: diz-se que os escravos eram tão leais que mesmo tendo suas vidas ceifadas sem piedade alguma, ficariam como eternos guardiões daquele tesouro campeiro, até que o patrão achasse por bem retirá-lo do buraco. Assim, meio de qualquer jeito, pode-se entender um pouco dos motivos do antigo ritual de enterro de dinheiro.
Pois numa dessas estâncias perdidas nas distâncias, e no tempo, havia um peão bastante leal e trabalhador. A escravatura, bem como os enterros já eram histórias do passado. Ainda assim, Luís, um negro já grisalho, era tratado com pouca afetuosidade por seu patrão, homem de veras ambicioso.
Em seu catre improvisado junto ao galpão, o peão dormia em uma noite muito fria, quando seus sonhos tiveram as rédeas tomadas por uma voz. Uma voz que lhe dizia: - Luís, na pedra da lagoa vais sentar, de costas pra lagoa vais ficar, doze passos vais andar e teu regalo resgatar. O negro de sonhos pouco entendia, mas aquele particularmente o impressionou, porque a voz que ouviu era bastante real e clara. Ainda assim, nada fez, sonho é sonho.
Na noite seguinte o velho peão sonhou com a pedra do lago, que nada mais era do que uma grande pedra em que as mulheres costumavam lavar roupas, já muitos anos antes de ele nascer, mas que desse fim se aposentara havia tempos. Luís a conheceu na verdade ainda na infância, quando junto de outros meninos faziam-na de impulso para dar o que eles chamavam de ‘biquinho’ na lagoa funda. E junto com a imagem da pedra, outra vez voltou a visitar seu sonho a voz que dizia - Luís, na pedra da lagoa vais sentar, de costas pra lagoa vais ficar, doze passos vais andar e teu regalo resgatar.
Naquela manhã Luís acordou um tanto quanto intrigado com aquela situação, dois sonhos daquele teor, em duas noites seguidas, mas que diabo de sonho seria aquele? O patrão o convocou para algumas tarefas no campo, no caminho o negro velho comentou com o patrão que estava cabreiro com um sonho que havia tido. O patrão demonstrou pouco ou nenhum interesse, mas ainda assim perguntou que sonho seria esse. Então o peão contou. Tudo. Sobre a voz, a pedra e o fato de ter ocorrido por duas vezes. O patrão ficou chocado. Neste mesmo dia, após a lida o velho peão descansava mateando sozinho quando recebeu a visita do patrão.
-Escuta Luís, aqui ta o teu ordenado pelo mês, mais uns pila pra ti não te ver mal já de saída. Não preciso mais dos teus serviços, amanhã mesmo tu pega teu rumo. Boa noite. – De certo o patrão havia interpretado o sonho de seu peão, e queria garantir que esses valores em sonho presenteados ao negro, não saíssem de sua propriedade, a não ser por suas mãos.
O peão não moveu um músculo, sabia que não teria pra onde ir, mas não ficaria ali se o proprietário das terras o escorraçara. Conforme lhe foi ordenado o fez. No mesmo dia em que deixou a estância já se ajeitou de peão em outra estância vizinha, de gente boa e hospitaleira, melhor para ele.
Enquanto o velho peão se adaptava a seu novo galpão e catre, o ambicioso patrão que o mandara embora escavava a doze passos da pedra da lagoa, conforme a instrução recebida por Luís. Nada encontrava. A ambição já estava cegando o homem, que escavava com muita raiva, atordoado com a idéia de que alguém pudesse tirar o dinheiro de suas terras antes de ele o encontrar. Estava já praticamente atolado em meio a lama. Nada encontrou. No outro dia repetiu o ritual, escavou cada centímetro do perímetro que os doze passos indicavam. Nada. Como as notícias correm rápido, já conhecia o paradeiro do velho peão. Pois mandou que viesse à estância para tratar de algumas pendências. O velho negro, homem muito humilde e leal, veio às pressas.
-Agora Luís nós vamos à Lagoa Funda e tu vai desenterrar o teu regalo.
O velho negro não discordou, talvez pela curiosidade que carregava. Os sonhos continuavam.
Chegando à lagoa o peão pode perceber que seu ex-patrão já havia procurado e muito pelo enterro que segundo seu sonho ali se encontrava.
- Pois trate de procurar Luís. – Dada a ordem o homem velho sentou na pedra, respirou fundo, e de mão na pá começou a contagem dos doze passos, de olhos fechados. Ao décimo segundo passo parou e abriu os olhos. Como o chão já estava todo revirado ele não sabia nem por onde começar. Resolveu dar a primeira estocada. Antes da décima estocada o peão encontrou seu regalo.
-Achei patrão, achei meu regalo! – Disse com voz entre triste e aliviado.
- Teu regalo ta aqui Luís! – Respondeu o patrão com uma garrucha nas mãos. Matou o velho negro que caiu sobre a panela que suas mãos cheias de calos acabavam de desvendar de entre a terra e a lama. O homem estava com sangue nos olhos, estava cego, a ambição falou mais alto do que qualquer outro sentimento que ele alguma vez sentira. Jogou o corpo do peão para o lado e se abraçou na panela de dinheiro, que enfim era sua.
Ao olhar para os lados, o homem ambicioso viu a silhueta de três negros, em pé em volta do buraco. Os guardiões sempre fazem justiça.
Santa Maria, 7 de Julho de 2009.
quinta-feira, 31 de março de 2011
Lá no Jobim
quinta-feira, 10 de março de 2011
Outra Vida
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
O Invento da Bússula
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
FINDING (Jorge Mello's Short Story)
[Este conto é uma colaboração do amigo Jorge Mello]
There are some times in life when we have to advance…
Well I’m nobody special in this world; I’m just a 25 year old man telling my story while I’m walking by the neighborhood trying to find something that is lacking in my life. If you question me, you’ll notice that I “have everything”. I’m working at a private school, well paid, I have my friends and practice exercises. I had a girlfriend but, when I was committed I still felt this sensation of missing something else. Now I’m single, not searching a girl, but a motivation that don’t have since I entered the university seven years ago. Before this, I used to be a young boy full of dreams, some of those became reality other changed into something more distant now, and full of a vigor that was losing force day by day ‘till now. I see many people without any interest in life, acting as if they didn’t want anything else here. I’m trying to be different from these people, I’m seeking this lack throughout my soul, my life, the place where I live, by my actions… well now I’m hanging on by the streets and telling what I was and what is probably missing in this.
I didn’t even have a love disillusion, all my relationships were nice and I don’t have enemies. Maybe you can say that what is missing is a kind of emotion and adrenaline in the way of how I live. Yes, maybe, but the new things that I try, I succeed well. Just a deep search in my vigorous past can say what I had that now I lost. The inspiration of the walk by the boulevard makes me think about my youth before starting my adult life of commitments and deadlines. What can bring this back? How can I fit myself among my commitments a lost feeling of fullness? It is funny to say something like that. If a had a completely occupied life, It’d be ok, but how can I miss something? The answer to this question is very complex, I think. Maybe it is just a very small detail in how I see life, but it is hidden from my eyes and my soul.
Now then it is almost eleven a.m. and I walked about 3 miles reflecting when I met a friend of mine. He was going to meet his parents in the neighborhood. I was at my parents last weekend. My mom and dad were looking nice and we talked about life and how things changed along the time. They questioned if I was planning to move, because it was my idea certain time ago, but it is impossible due to my job at school. My mom looks happy because without moving I stay closer to her. I like to visit my parents, I feel comfortable and for an instance I forget this strange feeling. I cannot move to live with my parents again, this term ended and I advance to other situation where I have to figure on myself in order to solve my issues.
It is not ease to look for something that we don’t know what it is properly. Well it is the time to go back. I have to tidy my apartment up and prepare some lessons for next week. While I am going home I see the dog-house truck passing by with some lost dogs inside it. I started to think about my dog that died when I joined the university. I earned my puppy in my sixth birthday. I didn’t have many friends and my dog many times was the only true friend that I had to share my problems and ideas. This truck made me think about a detail that passed unperceived. Now everything seems too much clear. I stopped in the middle of the side walk if my legs have lost strength and desire to resume the walk. Remember how it was nice to know that after a daylong studying or doing other things I’ll have a friend waiting me without caring about anything. My dog wouldn’t care if I was tired, sick, bored, or sad. He was always there, showing that he was a special and loyal friend. I just can think in one thing now, I have to go to the dog-house and look for, or maybe be found by a real true four paw friend. My stuff can wait me, other things can do that, but a friend cannot. I can’t wait anymore to recover my strength, my inspiration to try things and know that I will have someone that will understand me with his wet nose and fanning tail.
Now I walk toward a house that is not mine, but my friend’s temporary house.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Sea of Tranquility
Johnny the Guy who killed the wife, told me on Tuesday, that men has got a flag on the moon’s surface. I could hardly believe him. Man I’d really like to be there. If it’s true there’s a Sea of Tranquility there I could be a moonsailor whose only fate was taking everything easy.
If I had taken that easier that time I wouldn’t be here now, sharing a small room with Joe, the guy who killed that couple on the Christmas Eve, He became famous because of that, I was having dinner with Mary at the Shrimps’s House when I saw him in black and white.
My mom always told me not to become a burglar nor a murderer, because it was really common in our family. I kinda didn’t pay attention to her.
Once when I was just sixteen I wanted to talk to Mary in person. There were four phone calls until she accepted talking to me in front of her first working place. She was a baby-sitter at the time. We talked to each other for Five long hours up to 10p.m. when her father went there to pick her up. I’ll never forget the way Harry, her brother, looked at me. Harry should be here, he is the one whose privacy should be shared with this goddamn sick Joe.
Mary and I got married on a Sunday in a beautiful religious cerimony, at least it was beautiful up to the moment Harry got drunk and punched the priest saying that God was a human’s creation while the devil was part of us since the dawn of man.
Mary tried to save me, she said to the judge in person, that I didn’t have the intention, that I’d never do such a crime. However there was no salvation, I’m stuck and fourteen days from now I’ll be dead in front of her eyes. She’ll probably be quiet. Silence is a typical reaction from those whose hope and will to live were completely neglected by the surrounding circumstances. This world is unfair, I knew that.
Fourteen Days, this is a good period of time to spend on a vacation with your family, the place doesn’t matter, having your relatives next to you is the most important thing.
I’m afraid that Mary might find anorher man and then forget everything we have gone through together, in the thick and thin I was there for her, and so far she’s here for me. But, what when she has another man? Will she remember me.. I don’t know, I just want her to be happy. Since I killed her brother our lives became a hell on earth. Fourteen days from now. Gosh, Harry should be killed again.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Cegueira
Hoje, um tanto mais velho, já recuperado, porém de olhos bem abertos, eu descobri que há um outro tipo de cegueira, que não a ninja nem a científica. É a cegueira do coração. Esta sim, é vilã, sem choro nem ais, porque ela engana a favor e contra. Porém ambos os casos lidam com o verbo enganar.
Ela (pessoa e não a cegueira) desconfia de algo que diz que fiz, porém se houve mesmo algo de desrespeitoso em minha atitude, foi para comigo mesmo, por tentar a todo momento deixar claro o que o meu coração queria dizer. Este, certamente afetado pela primeira cegueira, aquela a favor, não sei bem de que. Já ela, afetou-se pela segunda, a contra, pois esbravejou os mais desrespeitosos impropérios sem fundamentação alguma, fazendo com que, tudo o que disse hoje a tarde olhando em seu olho valesse tanto ou menos que a tachinha enferrujada que está cravada no meu tênis há cerca de cinco meses.
Esse meu ensaio sobre a cegueira, diferende daquele de Saramago, é algo bem recorrente. Estejam atentos e de olhos abertos.
Desidério
segunda-feira, 11 de maio de 2009
O Re-Encontro
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Devaneios de um cavalinho..
Sua rotina era a de um trabalhador. Antes de nascer o sol ele já recebia as encilhas em seu lombo, seguido logo do peso de seu dono que o tratava até bem. Por este ele sentia um grande afeto, exceto quando em serviço sentia o arder de um laçaço ou das esporas cravando em sua pele. Mas como era um cavalo forte aguentava firme. Ao fim dos dias de trabalho no campo, percorrendo longas distâncias, sua recompensa era uma boa passada no paço da sangua onde matava sua sede, seguida da desencilha logo depois.
Os anos se passaram assim, ele trabalhando sempre, folgando aos dias de chuva ou quando o seu dono deixava a estância por alguns dias, e com o passar dos anos ele foi perdendo o seu vigor, mas como um cavalinho pensador ele sabia disso e dava o seu melhor, indo aos limites de sua resistência.
Um dia ele não agüentou. Caiu.
Ele sabia que seu ciclo estava acabando, ele não seria mais útil para o trabalho, talvez ficasse solto no campo para que pudesse padecer livre onde trabalhara a vida toda servindo ao homem. Talvez. Na última vez que o cavalinho pensador viu seu dono este estava em frente a casa contando as notas da última venda. O velho caminhão costurava as coxilhas carregado de pensamentos.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Um Jovem chamado Emerson..
O tempo..
Esta palavra é mística, pois ela remete a algo que conforta, ensina mas também destrói. Depois de cerca de nove anos juntos Amanda e Emerson tiveram um desentendimento, talvez pouca coisa, talvez coisa séria, quem sabiam eram eles, mas o fato foi que se separaram. Mas isso não separou suas casas, nem tampouco diminuiu o sentimento de Emerson. Em algumas semanas o rapaz não mais podia segurar o coração dentro do peito, pois a via, e o seu abraço, sua mão para mais uma passeio, se faziam necessários. Emerson passando por cima de todos os seus sentimentos de orgulho resolveu então deixar de perder tempo, ela era sua amada, a pessoa mais importante para sua alma, além claro de pai e mãe, mas esses ocupam espaços de amor diferentes dos do que uma pessoa como Amanda ocupava em seu peito naquele momento. Emerson pensou até em pedir ajuda ao pai da menina, que apesar de censurar o amor devido a cor do rapaz poderia se sensibilizar enfim. Naquela noite Emerson viu a mão de sua namorada, de seu amor para toda a vida, junto a mão de um outro rapaz, branco, mas isso era o que menos importava naquele momento, o que machucou foi que aquela era a mão do seu amor.
Ao lado da arma que ele usou para acabar com a própria vida, estava a rosa que Amanda deveria receber com amor e retribuir com um abraço dizendo a frase que ele mais desejava, eu te amo.
terça-feira, 8 de abril de 2008
Mar de Rosas...
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Intrusas Imagens
Após gastar várias horas de sua semana lendo ficção, Mariano acabava encenando suas histórias pela casa junto com amigos, o que levava seu pai a loucura. Primeiro pelo fato de o filho parecer ser tão ingênuo a ponto de realmente crer que algo naquelas páginas pudesse ser mesmo verdade. Segundo, porque com a ajuda dos amigos o menino deixava a casa bagunçada de ponta a ponta. Mas um dia algo incomum aconteceu em uma das brincadeiras. Mariano avistara atrás de um dos sofás na sala de sua casa a mão de uma pessoa, como que se alguém ali atrás quisesse levantar e se apoiasse nele. Porém desta vez o menino brincava sozinho, e seu pai não estava em casa. A primeira reação que teve ao ver a mão foi a vontade de fugir, pois alguém havia invadido sua casa, certamente um ladrão, mas o menino era muito corajoso e resolveu tirar sua dúvida. Pulou em cima do sofá e num grito de "te peguei" constatou que não havia ninguém atrás do móvel. Correu. Correu e gritou. Quando seu pai chegou ao fim da tarde encontrou Mariano sentado em frente a casa, um pouco mais tranquilo, mas ainda assustado. Pai - disse ele - eu vi um fantasma, na sala, atrás do sofá!
Ah, um fantasma, não seria o homem de Marte que estava ali atrás segunda-feira à noite? - exclamou o pai com desdém, referindo-se à fantasia que o amigo do menino usara em sua última brincadeira.
-Não pai, eu falo sério, eu vi, sei que vi!
-Escuta aqui Mariano, eu estava trabalhando, estou cansado, então não podemos brincar agora, muito menos dessas besteiras que tu fica lendo todos os dias.
E assim o ceticismo do homem sentenciou a falta de apoio ao menino assustado. Ele estava sozinho nessa.
Após o jantar Mariano começou a pensar que de fato poderia ser alguma besteira, talvez uma ilusão de ótica e de tanto pensar acabou ficando em dúvida se realmente havia visto algo ou não. As dúvidas acabaram quando Mariano acordou de madrugada para ir ao banheiro. Meio sonolento acendeu a luz e foi surpreendido por uma imagem refletida no espelho, parecendo estar atrás dele, dessa vez era apenas um vulto, mas o bastante para ele ter certeza, algo estava acontecendo. Sabendo que seu pai o repreenderia mais uma vez o menino resolveu lidar com a situação. Fazendo uso de uma lanterna caminhou a casa toda, sentindo cada centímetro de seu corpo em arrepios, mas enfrentando o medo em busca de uma solução a este caso. Contudo nada mais viu, apenas por varar a noite em busca de explicações acabou dormindo sentado na escadaria. Seu pai o acordou com um grito pela manhã. Mariano! O que está fazendo aí? Vai se atrasar para a escola!
-Pai, é que, acontece que... eu vi de novo.
-Olha Mariano, pra mim essa história já não é mais brincadeira, tu não sabe, mas eu já tive problemas por conta dessa besteirada toda. Sabe o que eu vou fazer?
-Vai me ajudar?
-Vou, com certeza, hoje a tarde vou te buscar na escola e vamos fazer uma tomografia da tua cabeça para saber o que há de errado contigo!
-Mas pai!
-Sem mas Mariano, pode ser que depois de ver que não há nada de errado tu te dê conta de que já passou da idade de mentir para teu pai com brincadeiras dessas, ou descobrimos que realmente há algo errado contigo.
E assim foi feito.
Enquanto esperava em frente a escola o menino pensava que talvez houvesse mesmo algo errado consigo, e quem sabe seu pai o pudesse curar, pois era um neurologista.
- Nada Mariano, viu como tu não tem nada ?Agora faça o favor de se dedicar mais aos estudos e à biologia, que assim pode ser que tu entenda como as coisas de fato acontecem.
Duas semanas se passaram e o pai do menino não ouviu mais nenhuma brincadeira ou reclamação. Até o dia em que lia o jornal em frente à lareira quando seu filho chegou sorrateiro e cabisbaixo parando em sua frente. Pensando em como seu tratamento ao filho poderia ajudá-lo a ser mais sincero e dedicado optou por tratá-lo ternamente
-O que foi meu filho?
-Pai, eu vi de novo, várias vezes.
-Mariano, meu filho!
-É sério pai, e agora eu estou vendo, está ao lado do senhor, não vejo inteiro, mas um perna, com calça cinza e um sapato preto arranhado na ponta, e a mão no seu ombro, com com um anel dourado.
O homem foi aos prantos.
sábado, 26 de janeiro de 2008
Prezados Seres Humanos
Habitantes do planeta terra!
Eu sou um enviado especial dos céus, vim aqui para cobrar a conta!
Há anos vocês vêm consumindo o que nãos lhes pertence, matando quem pensam estar sobre o jugo, torturando, brincando com vidas e reduzindo a nada beleza e pureza dos ciclios desse planeta. Tentamos antes algumas intervenções, primeiro vulvões, depois tornados, furacões e até ondas gigantes, mas vocês não pararam, quem são vocês? Ou melhor o que são vocês?
Seus desgraçados, filhos da... Antes eu sentia pena das crianças mas estou agora com dúvidas quanto a isso, porque vocês todos foram crianaças um dia e muitos brincando com a vida desde cedo, não é mesmo?
Caçando por esporte, e muitos depois de adulto caçam, ou pensam que não conheço suas rinhas e touradas?
Então...
Agora meus amigos, digo, meus inimigos, é hora de pagar a conta. Eu já fui piedoso antes, achei que devido a seus avanços em tecnologia os traria cada vezmais sabedoria, e o que eu vejo? Um desprezo total por quem não é vocês, por quem não tem o mesmo diploma que você ou seu maldito automóvel ou seu maldito dinheiro que sem você saber nada mais é do que seu passaporte para o porão do mundo.
Então seres desumanos, agora vocês sentirão na pele a dor a humilhação que causaram durante tanto tempo.
He He He, assustei vocês? Tudo não passa de uma brincadeira...
Acontece que não sou enviado dos céus, He He He, peguei vocês!
Sou enviado do inferno seus ordinários! Os céus desistiram de vocês, apenas acolhem as boas almas que vocês enviam as centenas diariamente.
E a propósito quanto a conta que vocês têm de pagar... continuam em dídiva, e ferrados!
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
A Janela do Tempo...
Sua mãe a colocou no ônibus das 7:00 horas, com chegada prevista na cidadezinha vizinha em torno de 9:00 horas. Precisamente, as 9:00 lá estava ela recebendo um abraço apertado da sua avó que já a esperava há mais de meia hora, que era por garantia. A senhora usava um vestido florido, longo, era magra, tinha cabelos brancos e rosto rude, mas um coração derretido pela jovem presença em seu lar com tão pouca vida e cor. O marido, que fora empregado na rede ferroviária por muitos anos havia sofrido um acidente de trabalho e não saía mais da cama. A netinha apertava forte a mão do avô, que observava o semblante gracioso da jovem com sorriso verdadeiro de dentinhos pequeninos e olhos expressivos completando a beleza do rostinho infantil, coberto por lisos cabelos castanhos que chegavam até seu ombro.
- Laurinha, deixa teu avô descançar querida, vem que a vó vai te dar um cafezinho com doce do jeito que tu gosta! - E dessa maneira os dias foram passando, com atividades diversificadas, como visita as senhoras amigas de sua avó, curso de crochê, passeios pelo parque e o auxilio que dava a velha senhora para cuidar da saúde do avô.
Numa tarde após o almoço e a limpeza da cozinha sua avó quis dormir um pouco para repor as energias.
Laurinha quis ler. A biblioteca que o avô cultivara possuía volumes que variavam entre metafísica a contos de fada. Um luxo cultivado com carinho pelo bom homem. Mas um luxo com um ar de mistério, prateleiras lotadas de livros em uma sala pouco iluminada.
A menina bastante curiosa folhava todos quantos podia até que viu uma coleção, que não sabia de que era, mas pela aparência despertou sua atenção. Dez volumes em capa dura, azuis e bem preservados, mas sem indicação do título na capa. Resolveu então tirá-los da prateleira e investigar a respeito de que o livro falava. Após tirar todos os livros Laurinha percebeu que havia uma janela escondida atrás da prateleira, que foi parcialmente mostrada com a retirada dos volumes. Ela sabia que atrás daquela parede havia uma velha peça onde sua avó guardava entulhos do dia-a-dia e que não queria que ninguém entrasse.
Curiosidade.
Tirou mais livros, revelando toda a janela, abria para fora, mas estava cadeada. Lembrou de um chaveiro que seu avô carregava sempre pendurado no cinto e que agora repousava sobre um prego ao lado da porta da cozinha. Acertou, uma das chaves era mesmo daquele cadeado. teve receio de empurrar a as folhas da janela, pois poderia derrubar algo que estivesse na salinha ao lado. Mas o fez com calma, e surpreendeu-se muito ao sentir o sol banhando seu rosto. Abriu enfim toda a janela, e viu a coisa mais impressionante que seus olhinhos já haviam visto. A rua não estava mais pavimentada, nem mesmo havia calçada em frente a casa de sua avó, o que havia era uma rua de chão batido com crianças disputando espaço em um jogo de futebol, meninos e meninas vestidos todos com roupinhas de gente grande. Olhou para a porta da biblioteca para certificar-se de que sua avó não a encontraria fazendo arte. Ao avistar um grupo de menininhas, como ela, pulou a janela para ir ao seu encontro.
A senhora acordou as 14:25, foi na cozinha, bebeu água enquanto assistia carros ritmados na rua em frente a sua casa. Caminhou até o banheiro e no caminho viu a bagunça na biblioteca, a janela aberta. Intrigou-se mas apenas fechou-a sem muitos questionamentos. Ouviu a campanhia.
pelo olho mágico viu sua velha amiga que há décadas não via pois havia partido em busca de seus parentes, após um trauma na infância quando perdeu-se. A velha senhora animou-se com a visita!
-Laura! Meu Deus que alegria em te ver!
Quando recebeu um abraço forte desta senhora
-Vó, quanta saudade da senhora!
-Que isso Laura, estou tão mais velha assim que tu?




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